sábado, 15 de julho de 2017

Colocando os carros na frente dos bois

Observei um pouco este blog e, após duas postagens, me dei conta de que nunca me apresentei e nunca expliquei porque coloquei esse blog no mundo.

Antes tarde do que nunca, vamos às apresentações.

Primeiramente, gostaria de apresentar Meu Dindim no Tio Sam. Concebi esse projeto pensando nos brasileiros que estão planejando ou em vias de se mudar para os Estados Unidos ou para brasileiros que já moram aqui e investem só em Savings e no plano de previdência da empresa porque simplesmente estão perdidos e não sabem por onde começar a considerar outras opções.

Essa era exatamente a minha realidade e resolvi procurar algum site que me ajudasse a sair desse barco. Algumas buscas no Google me mostraram posts no Info Money, Exame, Valor Econômico explicando como brasileiros poderiam abrir conta em corretora e como enviar dólares para investir nos Estados Unidos. Mas a ideia era voltada aos brasileiros que pretendiam continuar morando no Brasil.

Não encontrei nada escrito de brasileiro para brasileiro, para quem mora ou pretende morar nos Estados Unidos. Talvez tenha procurado muito mal, então, se alguém tiver alguma recomendação, por favor coloque nos comentários lá embaixo.

Não saber o que fazer me deixou bastante incomodado. Quando eu vivia no Brasil tinha um pouquinho investido em fundos, um pouquinho em Tesouro Direto, um pouquinho em ações e nada em poupança. Cheguei a ganhar um pouquitinho com opções, mas depois perdi 100% de tudo que havia ganhado com elas. Outro dia eu conto essa história.

Bom, não havia outra solução pra mim a não ser arregaçar as mangas e começar a estudar o assunto. Comecei com um curso de extensão de dois sábados na Universidade de Stanford (gente coisa é outra fina), que fica no quintal de casa (alguém feche a boca dele, por favor?). O curso era sobre aposentadoria no século XXI e abriu minha mente. Aprendi não somente sobre opções de investimento, mas também a como planejar minha vida financeira para chegar até a aposentadoria com meu próprio dinheiro. Além disso recebi uma injeção de incentivos que me levou a querer trabalhar mais no assunto.

Gradualmente fui ficando mais a par das coisas e descobri que investimentos nos Estados Unidos tem algumas semelhanças com o Brasil. Então a ficha caiu! Manteria esse conhecimento apenas para mim ou comparilharia com outros brasileiros que precisam dessa informação. Vocês já sabem a resposta:



Mas quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?

Meu nome é Márcio e não, nunca estudei economia ou qualquer coisa ligada a finanças. Sou engenheiro de computação e trabalho com automação de equipamentos científicos para aceleradores de elétrons. Trabalho nos aceleradores da Universidade de Stanford (sei não, esse cara me parece metido demais...). Mas... você vai se meter a besta de escrever um blog sobre investimentos? Sim! Quem falou que só economistas podem cuidar do próprio dinheiro?

Eu sempre gostei de assuntos ligados às finanças pessoais desde a infância. Sempre poupei minha mesada para comprar algo bem legal após alguns meses. Fazia controle de gastos num caderninho durante meu período na universidade. Depois mudei do papel para Excel e migrei para o Microsoft Money. Hoje fui pro open source: GnuCash.

Atualmente aprendo com duas fontes de informação principais: Empiricus e Clube dos Poupadores. Nos Estados Unidos tenho lido artigos da Morningstar. Recomendo dois livros:

  • Crash - Uma Breve História da Economia, de Alexandre Versignassi. Esse livro explica como funciona o dinheiro no mundo. Você termina o livro com uma compreensão incrível do mundo do dinheiro. Abre a mente, garanto.
  • Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi. Muitos dos conceitos de planejamento financeiro que aprendi no curso aqui de Stanford estão muito bem mastigadinhos nesse livro. 
Inevitavelmente eu vou acabar escrevendo alguma besteira, então agradeço a ajuda de qualquer leitor, seja alertando sobre algum erro, seja jogando pedra. Ouviram? (cri - cri - cri). Ninguém? Tudo bem, um dia vai ter alguém me acompanhando aqui.

Na hipótese de alguém considerar esse conteúdo útil, sempre que tiver interesse que eu desenvolva algum tema específico é só escrever o seu pedido nos comentários que eu terei o maior prazer de pesquisar sobre o assunto.

Obrigado pela leitura! Agora, vamos investir?

Disclamer: não recebo dinheiro algum para fazer recomendações. Por sinal, meu visto H1-B me proíbe de ter qualquer renda extra além do meu salário de Stanford. Nem que eu quisesse (e realmente não quero), eu poderia receber algum tipo de patrocínio. Só recomendo aquilo que foi útil pra mim algum dia e acho que será útil para meu leitor.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Títulos públicos - esquentando o tema

Que tal falarmos agora de títulos públicos? Então precisamos tomar mais uma sopa de letrinhas: Treasury: T-Bonds, T-Notes. Agency Bonds: Ginnie Mae, Fannie Mae, Freddie Mac. Savings: EE Bonds, HH Bonds, I Bonds. Municipal Bonds.

T-Bonds ou Treasury Bonds são mais conhecidos como Treasuries. São títulos emitidos pelo Tesouro do Tio Sam com duração de 10 a 30 anos. O equivalente brasileiro aos Treasuries é o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTNF). Você conhece a taxa antes da compra e recebe seus juros na sua conta a cada 6 meses. Vender o título antes do vencimento pode gerar perdas. É possível comprar T-Bonds em múltiplos de US$100,00. Quando o título vence, você recebe o valor de volta. Os juros já foram pagos antes.

Os T-Notes ou Treasury Notes são idênticos aos T-Bonds. A única diferença é a duração: 2, 3, 5, 7 e 10 anos.

Agency Bonds são títulos emitidos por agências do governo, como US Postal Service e Federal Land Banks, para juntar fundos para agricultura. Alguns títulos de Agency Bonds receberam apelidos carinhosos: Ginnie Mae, Fannie Mae e Freddie Mac.

  • Ginnie Mae = Government National Mortgage Association. Financia projetos de moradia.
  • Fannie Mae = Federal National Mortgage Association. Financia hipotecas para o Federal Housing Administration e o Veterans Administration.
  • Freddie Mac = Federal Home Loan Mortgage Corporation. Financia instituições econômicas apoiadas pelo governo, como as Credit Unions.

Não há título equivalente aos Agency Bonds no Brasil.

Agora falando sobre os US Saving Bonds. Eles são comprados diretamente do governo e não do mercado secundário, como os T-Bonds e T-Notes. Os Savings Bonds podem ser comprados a partir de US$25,00 e são divididos em 3 grandes categorias: EE, HH e I.

  • EE Bonds são equivalentes ao Tesouro Prefixado (LTN) do Brasil. Podem ter duração de até 30 anos.
  • HH Bonds não são mais vendidos, mas ainda existem nas mãos de alguns investidores, até que o prazo do título deles termine.
  • I Bonds são equivalentes ao Tesouro IPCA+ (NTNB Principal) do Brasil. Podem ter duração de até 30 anos. Rendem inflação + juros.

Municipal Bonds financiam não somente municípios, como era de se esperar, mas também estados. Não há equivalente no Brasil.

Existe um Tesouro Direto no Tio Sam? Sim!!! www.treasurydirect.gov/tdhome.htm. Até 2012 os títulos eram em papel, com canhotos pra destacar! Brasileiros chegando nos EUA ficam surpresos como o país está atrasado tecnologicamente na área financeira. Títulos em papel no século 21!!!

Esse foi apenas um resumão de toda a história. Hora de mudar de tema.

Veja informações quentinhas diariamente no Twitter do Meu Dindim no Tio Sam: https://twitter.com/meudindimtiosam

terça-feira, 6 de junho de 2017

Primeiros comentários sobre planos e contas de previdência no Tio Sam

Pra quem acaba de chegar no Tio Sam, a Sopa de Letrinhas começa com com as opções de previdência IRA, 401(k), 403(b) e 457(b).

Pra complicar um pouquinho mais, cada uma das 4 opções tem suas versões Traditional e Roth. O povo aqui cita essas siglas com naturalidade.

As regras por trás de cada um desses planos é bastante complicada, mas grosseiramente 401(k), 403(b) e 457(b) são similares aos PGBL e VGBL.

Na versão Traditional, são equivalentes ao PGBL brasileiro. Ou seja, o que entra pode ser deduzido do IR. Porém, no saque, todo o valor é entendido como um salário e segue as regras de IR aplicadas a "income". Na versão Roth, são equivalentes ao VGBL brasileiro. Ou seja, o IR é cobrado antes do dinheiro entrar. Mas no saque não se paga imposto!

Tem algo bem legal nesses planos de previdência do Tio Sam: os rendimentos das aplicações são isentas de imposto! Não tem come-cotas!

Já o IRA não tem equivalente no Brasil. É uma conta de investimento pra investir em fundos, ações, etc. e todo rendimento é isento! Aplicações no IRA Traditional podem ser deduzidas do IR. No saque, o valor é entendido como salário (income) e entra na conta do IR. Dinheiro que entra no IRA Roth já teve o IR cobrado antes. Portanto, no saque não há cobrança de imposto.


Uau, como o Tio Sam é bonzinho! Rendimentos nesses fundos e contas de previdência são isentos e isso faz diferença enorme no longo prazo.

Claro que não há almoço grátis. O dinheiro tem que ser deixado nessas contas até a idade de 59,5. Após 70,5 anos, você é obrigado a sacar. Até é possível sacar antes, mas há multas de 10% a 20% do valor. Essas contas são realmente pra aposentadoria. Não recomendo tirar antes.

Agora a cereja do bolo: normalmente empresas fazem um depósito de "match" junto com os funcionários. Você coloca uma porcentagem todo mês e a empresa coloca uma porcentagem do "bolso" dela. Se o match for igual, isso significa que, de cara, você já sai com o dobro do que planejou guardar!

Com o tempo vamos esmiuçando mais o IRA, 401(k), 403(b) e 457(b). Mas vamos deixar as regras chatas e tediosas pra outro dia.

Veja informações quentinhas diariamente no Twitter do Meu Dindim no Tio Sam: https://twitter.com/meudindimtiosam

A Escada Rolante de CDB

Tudo começou quando eu estava procurando alguma opção pra minha reserva de emergência que pudesse render mais do que os 0,2% ao ano  (!!!!!)...